Quais são as origens da Páscoa?

As origens da Páscoa estão na ressurreição de Jesus Cristo no terceiro dia após sua crucificação, um evento que os primeiros cristãos celebravam dentro do calendário da Páscoa judaica. A palavra em quase todas as línguas latinas e bíblicas (Pascha, do hebraico pesach, פֶּסַח, "passar por cima") liga diretamente a festa cristã ao êxodo do Egito e ao Cordeiro que morre para que o povo viva. A celebração não é uma invenção tardia nem um disfarce de festas pagãs: ela é o eco litúrgico do domingo em que a sepultura ficou vazia.

O que a Bíblia diz

O Novo Testamento não descreve uma "festa da Páscoa cristã" com esse nome, mas planta toda a sua substância. Jesus é crucificado durante a Páscoa judaica, e os Evangelhos fazem questão de marcar o tempo: "Era o dia da preparação para a Páscoa" (Jo 19:14). Paulo dá o passo interpretativo decisivo: "Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi sacrificado por nós" (1 Co 5:7). A festa que lembrava a libertação da escravidão do Egito se cumpre num Cordeiro maior.

A ressurreição, que é o coração da celebração, está atestada nos quatro Evangelhos e na pregação mais antiga da igreja. "Ele não está aqui; ressuscitou, como tinha dito" (Mt 28:6). Paulo resume o evangelho que recebeu como tradição: que Cristo morreu por nossos pecados, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras (1 Co 15:3-4). Desde o início, os discípulos passam a se reunir "no primeiro dia da semana" (At 20:7), o domingo da ressurreição, e é desse ritmo semanal que cresce a grande festa anual.

Como a celebração tomou forma

Nos séculos seguintes, a igreja organizou em torno desse evento uma celebração anual. Os escritos cristãos do segundo século já falam da Pascha como a comemoração da morte e ressurreição do Senhor, e houve até uma disputa pastoral, conhecida como controvérsia quartodecimana, sobre se a festa devia seguir a data da Páscoa judaica (14 de nisã) ou cair sempre num domingo. O Concílio de Niceia, em 325, fixou a prática de celebrar no domingo após a primeira lua cheia da primavera no hemisfério norte.

Vale notar o detalhe linguístico, porque ele guarda a teologia. Em português, espanhol, italiano, francês e em praticamente todo o mundo de raiz latina e grega, o nome da festa vem de Pascha ou pesach — Páscoa, Pascua, Pâques. O nome aponta para o Cordeiro e para o êxodo, não para outra coisa. Quem cresce lendo a Bíblia em português tem, na própria palavra "Páscoa", um sermão sobre a libertação.

E quanto à ligação com cultos pagãos?

É comum ouvir que a Páscoa seria, no fundo, uma festa pagã rebatizada — de uma deusa da fertilidade, com ovos e coelhos como símbolos antigos. Aqui é preciso honestidade e distinção. A celebração cristã, em sua origem e em seu nome na maior parte do mundo, está enraizada na Páscoa bíblica e na ressurreição; não há base histórica para tratá-la como um culto pagão disfarçado.

O termo inglês Easter e o alemão Ostern são a exceção, não a regra: provavelmente derivam de um nome germânico antigo para a estação ou para o mês da primavera. Mesmo aí, o nome regional não muda o conteúdo daquilo que se celebra. Quanto aos ovos e coelhos, são acréscimos culturais e folclóricos posteriores, ligados à primavera e à ideia de vida nova — costumes que cada família e igreja avalia com liberdade e discernimento, sem confundi-los com o centro da fé. O perigo real não é a etimologia, mas deixar o símbolo periférico ocupar o lugar do Crucificado e Ressuscitado.

Por que isso ainda importa

Saber de onde vem a Páscoa não é curiosidade de almanaque. É reconhecer que a fé cristã se ancora num acontecimento, não numa ideia. Paulo chega a apostar tudo nisso: "Se Cristo não ressuscitou, a fé que vocês têm é inútil" (1 Co 15:17). A festa existe porque a sepultura ficou vazia; tire a ressurreição e não sobra nada para celebrar.

Há também um fio que une as duas Páscoas, a antiga e a definitiva. No Egito, o sangue do cordeiro sobre as portas fazia a morte passar adiante (Êx 12:13). Na cruz, o sangue do verdadeiro Cordeiro faz o juízo passar adiante de todos os que nele confiam. A libertação que era geográfica — sair de uma terra de escravidão — torna-se libertação do pecado e da morte.

Por isso a Páscoa não é um feriado a observar de longe, mas um convite a ser atravessado por ele. A pergunta que a sepultura vazia devolve a cada pessoa é simples e pessoal: se ele venceu a morte, em que ainda vale a pena depositar o medo? O cristão celebra a Páscoa porque o Cordeiro foi morto e vive — e porque, nele, também vivemos.

Referências bíblicas principais

Êx 12:13 · 1 Co 5:7 · 1 Co 15:3-4 · 1 Co 15:17 · Mt 28:6 · Jo 19:14 · At 20:7 · Lc 24:6

Perguntas frequentes

Por que a Páscoa cristã e a Páscoa judaica têm o mesmo nome?

Porque são, de fato, a mesma raiz. A palavra vem do hebraico pesach ('passar por cima'), que nomeia a festa em que Israel lembrava a libertação do Egito (Êx 12). Os primeiros cristãos celebravam a morte e ressurreição de Jesus exatamente nesse período, e Paulo identifica Cristo como 'nosso Cordeiro pascal' (1 Co 5:7). Em português, espanhol, francês e na maioria das línguas, o nome continua sendo Páscoa/Pascua, preservando o vínculo com o êxodo e com o Cordeiro.

A Páscoa é uma festa de origem pagã?

Não em sua origem nem em seu nome na maior parte do mundo. A celebração cristã nasce da ressurreição de Jesus, comemorada junto à Páscoa judaica desde o primeiro século. A confusão vem sobretudo do termo inglês Easter e do alemão Ostern, que provavelmente derivam de um nome germânico da primavera. Já ovos e coelhos são costumes culturais posteriores ligados à estação, não o conteúdo da festa, que permanece sendo Cristo crucificado e ressuscitado.

Quando foi definida a data da Páscoa?

A celebração da ressurreição existe desde o início da igreja, ligada ao 'primeiro dia da semana', o domingo (At 20:7). No segundo século houve a chamada controvérsia quartodecimana sobre seguir ou não a data judaica de 14 de nisã. O Concílio de Niceia, em 325, consolidou a prática de celebrar no domingo seguinte à primeira lua cheia da primavera no hemisfério norte. Por isso a data varia a cada ano, sem deixar de cair sempre num domingo.

Os ovos e o coelho da Páscoa estão na Bíblia?

Não. A Bíblia não menciona ovos nem coelho como símbolos da Páscoa. São acréscimos culturais e folclóricos posteriores, associados à primavera e à imagem de vida nova. Não há nada de pecaminoso em usá-los como tradição familiar, desde que não ocupem o lugar central. O foco bíblico da festa é o sacrifício e a ressurreição de Jesus, o Cordeiro de Deus (1 Co 5:7; 1 Co 15:3-4), e é isso que o cristão celebra.

Qual a diferença entre a Páscoa do Antigo e a do Novo Testamento?

A Páscoa do Antigo Testamento celebrava a libertação de Israel da escravidão no Egito, marcada pelo sangue do cordeiro sobre as portas, que fazia a morte 'passar por cima' (Êx 12:13). A Páscoa cristã celebra o cumprimento dessa figura: Jesus, o verdadeiro Cordeiro, cujo sangue liberta do pecado e da morte. A primeira aponta para a segunda. Por isso Paulo diz que 'Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi sacrificado por nós' (1 Co 5:7), unindo as duas numa só história de salvação.